LOTERIA ONLINE ENFRENTA LOBBY DAS LOTÉRICAS

sábado, 26 de outubro de 2013 14:00 By Lucio Neto

Caixa é pressionada a encontrar uma forma de pagar comissões para casas lotéricas antes de lançar site para a venda de bilhetes
Para permitir que cada computador se transforme em uma "personal lotérica", a Caixa enfrenta um jogo pesado: resolver como repassará a comissão das apostas feitas pela internet aos empresários lotéricos, que não abrem mão desses recursos. Esse é um dos pontos que aguardam na fila para ser resolvido antes de a instituição lançar o site a partir do ano que vem.

O banco estatal testará, em breve, as funcionalidades do sistema, a navegabilidade, o padrão visual e o processamento interno necessários para garantir toda a segurança das operações. Para resolver o imbróglio das comissões, uma das propostas da Caixa é obrigar o apostador a escolher no site uma lotérica de veiculação, por meio do CEP, de um cartão pré-pago ou de um cadastro. Segundo Roger Benac, presidente da Federação Brasileira das Empresas Lotéricas (Febralot), já está decidido que não receberão o mesmo porcentual da comissão dos jogos presenciais.

Atualmente, fazer um fezinha online só é possível aos clientes da Caixa, que têm a opção de usar o internet banking da instituição para fazer palpites em apenas uma das modalidades, a Mega Sena. De acordo com a instituição, por esse canal, foram vendidos, desde 2011, mais de 6,5 milhões de bilhetes, com arrecadação de mais de R$ 44 milhões. Somente neste ano, até o fim de setembro, foram arrecadados R$ 18,3 milhões.

O banco usou essa experiência como projeto-piloto para o desenvolvimento do site para todo o público apostador. Das apostas de jogos de prognósticos que são feitas presencialmente, os empresários recebem 9%. No entanto, esse porcentual relativo ao que está sendo apostado pelo internet banking da Caixa, em vez de aumentar o faturamento dos empresários, foi destinado ao Fundo para o Desenvolvimento das Loterias (FDP). Só neste ano, até agora, a rede lotérica deixou de arrecadar R$ 1,6 milhão.

Comissão. Os lotéricos nem cogitam a possibilidade de ficar sem a comissão quando o site estiver funcionando. Isso representaria uma grande perda de faturamento. Pela comercialização dos produtos lotéricos, além dos 9% das loterias de prognóstico, a Caixa paga 13% para a loteria instantânea e 5% pela loteria federal.

As casas lotéricas também ganham pelos serviços delegados pelo banco estatal, como recebimento de contas de água, luz e telefone, carnês, prestações, faturas e documentos de diversos convênios, além dos serviços financeiros que prestam como correspondentes da Caixa autorizados pelo Banco Central e dos pagamentos de benefícios sociais. No entanto, os lotéricos reclamam que o valor pago por esses serviços é baixo.

Provavelmente, vão ser estipuladas três faixas de comissão a depender da forma como o lotérico "fideliza" o cliente. Benac acredita que o lançamento do site pela Caixa vai abrir um novo mercado aos lotéricos.

"O público que vai apostar online é diferente do que aproveita que está pagando as contas nas lotéricas para fazer uma aposta. Essas pessoas já pagam as contas usando a internet", acredita.

A relação Caixa/lotéricos ganhou mais segurança jurídica depois que Dilma Rousseff sancionou, no dia 15 deste mês, a Lei 12.869, conhecida como Lei dos Lotéricos, que estipulou em 20 anos, com renovação automática por igual período, para os contratos de permissão de exploração das loterias. Hoje, esse prazo é de 10 anos.

A legislação também estabelece que a Caixa tem o dever de apresentar estudos técnicos sobre o potencial para a venda das loterias federais e a demanda para atendimento da população local toda vez que for analisar mudança de endereço ou novos credenciamentos.

Ao banco estatal também ficou a obrigação de prestar assistência, consultoria e treinamento para o início e a manutenção das atividades dos lotéricos.

MURILO RODRIGUES ALVES , BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo