O lucro

sábado, 19 de julho de 2008 01:53 By Lucio Neto

Eu sou publicitário (registro MTPS 165) e quero manifestar minha insatisfação com relação ao resultado do recém encerrado Congresso Brasileiro de Propaganda. Pareceu-me uma grande pizza servida com muita divulgação. Meia dúzia de agências que detêm contas de empresas de bebidas alcoólicas e mais os grandes veículos de comunicação que têm interesse nas verbas publicitárias desse segmento decidiram criar uma frente parlamentar e lançaram um manifesto contra uma “suposta” censura à propaganda. Ora, não existe censura. Existem restrições à veiculação de publicidade de cigarros, remédios e agora se tenta a de bebidas alcoólicas. São proibições louváveis e aprovadas em qualquer pesquisa de opinião como corretas e sábias. Bebida e cigarro matam além de dar um grande prejuízo ao falido sistema de saúde brasileiro. Os gênios da nossa propaganda deveriam ter aproveitado o Congresso para discutir a crise de criatividade por que passa a publicidade espelhada em sofríveis comerciais na televisão. E, já que não tinham nada melhor para fazer, aproveitar e censurar esses horríveis comerciais de varejo com locutores e modelos gritando dentro da nossa casa. Agora, o que pegou mal mesmo foi o argumento usado para que o Congresso Nacional não proíba a publicidade de bebidas alcoólicas: o consumidor sabe decidir, ele é responsável. Claro, irresponsáveis são os autores da proposta. A publicidade usa a técnica da repetição espaçada. “Beba Coca-cola” repetida inúmeras vezes ao dia, durante anos, são poucos os que resistem. No fundo, somos todos Dantas e Cacciola. Mudam os métodos, mas o objetivo é o mesmo – o lucro.

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